100 filmes nacionais essenciais segundo a Abraccine
Nova lista reflete como o pensamento da crítica mudou nessa década em relação ao ranking de 2015.
| 'Ainda Estou aqui' (2024) e 'O Agente Secreto' (2025), estão dentro da lista. Foto: divulgação. |
A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) refez a lista de 100 melhores filmes brasileiro. O novo ranking conta com 29 mudanças que refletem como o pensamento da crítica mudou nessa década. Inclusive, o conceito da eleição também mudou: agora ela é chamada de 100 Filmes Brasileiros Essenciais.
Os 100 “essenciais” reduz o caráter mais subjetivo de “melhores” e favorece uma distribuição de mais representatividade nessas listas. Nem há uma relação por classificação, mas em ordem cronológica.
Infelizmente, a Paraíba perdeu espaço: em 2015, Aruanda (1960), de Linduarte Noronha, e O País de São Saruê (1979), de Vladimir Carvalho, estavam entre os 100; dessa vez, só Aruanda entrou.
Mais filmes feitos por mulheres
A lista de 2015 tinha apenas cinco cineastas mulheres, cada uma com um filme. Agora, elas são 14, com novidades como Gilda de Abreu (O ébrio, 1946), Adélia Sampaio (primeira mulher negra a dirigir um longa no Brasil, com Amor maldito, 1984), e Carla Camurati (cujo Carlota Joaquina, princeza do Brasil, pilar da retomada do cinema brasileiro, em 1955, que incrivelmente não encontrou lugar na lista de 1995).
| Pôster de 'O ébrio' (1946). Foto: divulgação. |
Ranking mais inclusivo
Vale lembrar que a lista também está um pouco menos branca, com a presença de cineastas negros como Odilon Lopez (Um é pouco, dois é bom, 1970), Zózimo Bulbul (Alma no olho, 1973), Gabriel Martins (Marte Um, 2022) e a já citada Adélia Sampaio.
| 'Um é Pouco, Dois é Bom' (1970). Foto: divulgação. |
Os 100 filmes essenciais do cinema brasileiro, segundo a crítica
- Limite (1931), de Mário Peixoto
- Ganga bruta (1933), de Humberto Mauro
- O ébrio (1946), de Gilda de Abreu
- Também somos irmãos (1949), de José Carlos Burle
- Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle
- O cangaceiro (1953), de Lima Barreto
- Rio, 40 graus (1956), de Nelson Pereira dos Santos
- Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos
- O grande momento (1958), de Roberto Santos
- O homem do Sputnik (1959), de Carlos Manga
- Aruanda (1960), de Linduarte Noronha
- O assalto ao trem pagador (1962), de Roberto Farias
- O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte
- Os cafajestes (1962), de Ruy Guerra
- Porto das Caixas (1962), de Paulo Cezar Saraceni
- Vidas secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos
- À meia-noite levarei sua alma (1964), de José Mojica Marins
- A velha a fiar (1964), de Humberto Mauro
- Deus e o Diabo na terra do Sol (1964), de Glauber Rocha
- Noite vazia (1964), de Walter Hugo Khouri
- Os fuzis (1965), de Ruy Guerra
- A falecida (1965), de Leon Hirszman
- São Paulo, sociedade anônima (1965), de Luiz Sergio Person
- A entrevista (1966), de Helena Solberg
- A hora e a vez de Augusto Matraga (1966), de Roberto Santos
- O padre e a moça (1966), de Joaquim Pedro de Andrade
- Todas as mulheres do mundo (1966), de Domingos de Oliveira
- A margem (1967), de Ozualdo Candeias
- Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), de José Mojica Marins
- O caso dos irmãos Naves (1967), de Luiz Sergio Person
- O menino e o vento (1967), de Carlos Hugo Christensen
- Terra em transe (1967), de Glauber Rocha
- O bandido da luz vermelha (1968), de Rogério Sganzerla
- A mulher de todos (1969), de Rogério Sganzerla
- Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade
- O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), de Glauber Rocha
- O despertar da besta (Ritual dos sádicos) (1970), de José Mojica Marins
- Matou a família e foi ao cinema (1970), de Julio Bressane
- Um é pouco, dois é bom (1970), de Odilon Lopez
- Bang bang (1971), de Andrea Tonacci
- Sem essa, Aranha (1971), de Rogério Sganzerla
- São Bernardo (1972), de Leon Hirszman
- Toda nudez será castigada (1972), de Arnaldo Jabor
- Alma no olho (1973), de Zózimo Bulbul
- Compasso de espera (1973), de Antunes Filho
- Os homens que eu tive (1973), de Tereza Trautman
- A Rainha Diaba (1974), de Antonio Carlos da Fontoura
- Dona Flor e seus dois maridos (1976), de Bruno Barreto
- Iracema, uma transa amazônica (1976), de Jorge Bodanzky e Orlando Senna
- Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), de Hector Babenco
- Mar de rosas (1977), de Ana Carolina
- A lira do delírio (1978), de Walter Lima Jr.
- Tudo bem (1978), de Arnaldo Jabor
- A mulher que inventou o amor (1980), de Jean Garrett
- Bye Bye, Brasil (1980), de Carlos Diegues
- Pixote, a lei do mais fraco (1980), de Hector Babenco
- Eles não usam black-tie (1981), de Leon Hirszman
- O homem que virou suco (1981), de João Batista de Andrade
- Os saltimbancos trapalhões (1981), de J.B. Tanko
- Das tripas coração (1982), de Ana Carolina
- Onda nova (1983), de Ícaro Martins e José Antonio Garcia
- Pra frente, Brasil (1983), de Roberto Farias
- Amor maldito (1984), de Adélia Sampaio
- Cabra marcado para morrer (1984), de Eduardo Coutinho
- Memórias do cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos
- A marvada carne (1985), de André Klotzel
- Filme demência (1986), de Carlos Reichenbach
- A hora da estrela (1986), de Suzana Amaral
- Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado
- Que bom te ver viva (1989), de Lúcia Murat
- Superoutro (1989), de Edgard Navarro
- Alma corsária (1994), de Carlos Reichenbach
- Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), de Carla Camurati
- Terra estrangeira (1995), de Daniela Thomas e Walter Salles
- Baile perfumado (1997), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas
- Central do Brasil (1998), de Walter Salles
- O auto da Compadecida (2000), de Guel Arraes
- Bicho de sete cabeças (2001), de Laís Bodanzky
- Lavoura arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho
- Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund
- Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho
- Madame Satã (2002), de Karim Aïnouz
- Cinema, aspirinas e urubus (2005), de Marcelo Gomes
- O céu de Suely (2006), de Karim Aïnouz
- Serras da desordem (2006), de Andrea Tonacci
- Jogo de cena (2007), de Eduardo Coutinho
- Saneamento básico, o filme (2007), de Jorge Furtado
- Santiago (2007), de João Moreira Salles
- Trabalhar cansa (2011), de Juliana Rojas e Marco Dutra
- O som ao redor (2013), de Kleber Mendonça Filho
- O menino e o mundo (2013), de Alê Abreu
- Branco sai, preto fica (2015), de Adirley Queirós
- Que horas ela volta? (2015), de Anna Muylaert
- Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho
- As boas maneiras (2017), de Juliana Rojas e Marco Dutra
- Arábia (2018), de Affonso Uchoa e João Dumans
- Marte um (2022), de Gabriel Martins
- Mato seco em chamas (2022), de Adirley Queirós e Joana Pimenta
- Ainda estou aqui (2024), de Walter Salles
- O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho
Boa!
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