'Siri na Lata': Cely Farias fala sobre bastidores de websérie em entrevista

Farias fala sobre bastidores de websérie em entrevista ao Kath News. Fonte: divulgação.

A atriz paraibana Cely Farias (Agente Secreto, 2025) interpreta a protagonista Íris na websérie "Siri na Lata", que já está disponível para ser assistida no Youtube. Nosso blog entrou em contato com a artista que nos concedeu uma entrevista.
Na produção, Cely interpreta Íris, uma atriz frustrada que se recusa a aceitar o anonimato. Confira o trailer da websérie abaixo:

Entrevista ao Kath News

[Kath] Como começou esse projeto do "Siri na Lata"? Como ele chegou até você?

[Cely] O projeto do "Siri na Lata" surge durante a pandemia. Murilo Franco, que é um roteirista, idealizador e um dos diretores, é um artista com quem eu já trabalhava, já tinha algumas coisas juntos, a gente fazia parte do mesmo coletivo, que o Coletivo Atuador. E naquele momento da pandemia, estava tudo sendo muito difícil, a gente não estava conseguindo exercer o nosso trabalho como a maioria das pessoas, e a gente estava querendo encontrar ali alguma coisa que a gente pudesse fazer à distância, fosse preencher nosso tempo, nossa cabeça. E aí, Murilo estava fazendo um curso de roteiro online, e durante esse curso a gente já estava nessa coisa de querer fazer alguma coisa juntos, e aí ele começa a escrever "Siri na Lata", essa série. Aí ele escreve o primeiro episódio, que é o piloto, digamos assim.

A atriz também comentou que contou com a participação da família durante a produção de "Siri na Lata". Seu marido é fotógrafo, ela atuava e Murilo mantinha contato com eles à distância. Inclusive, a irmã de Cely participou da direção de arte de "Siri na Lata".

Cely Farias estrela websérie obsessão pela fama nas redes sociais. Foto: divulgação.

[Cely] Então a gente conseguiu, nessas condições muito limitadas, mas a gente conseguiu gravar esse primeiro episódio, um episódio piloto. E aí a gente viu que a coisa tinha potencial, que tava interessante, tava gostoso, e a gente poderia dar continuidade àquilo, aquele sonho, aquele desejo. Murilo escreveu os outros seis episódios, né, a partir já um pouco também desse primeiro resultado ali, que apontava como potencialidades. Aí a gente submeteu o projeto na lei Aldir Blanc municipal para gravar todos os episódios.

Cely relembra que “Siri na Lata” foi aprovado na lei Aldir Blanc em 2021, já com todos vacinados, mas a equipe continuava em lockdown, com um pouco mais de flexibilidade, mas com todos os cuidados eles conseguiram realizar o projeto.

A artista conta em entrevista que foi arregimentado uma equipe de amigos para compor a equipe técnica e também para fazer parte do elenco quase que voluntariamente, porque o recurso era pouco.

[Cely] Foi mais um desejo mesmo de produzir, de estar junto. Mas assim, tem cenas, se você perceber, a gente já localiza temporalmente essa questão da pandemia, o contexto ali, o momento onde essa história acontece. E as interações, as cenas, geralmente acontecem através de videochamada, esse tipo de coisa, justamente porque foi uma solução que Murilo encontrou para a gente também se proteger naquele momento que estava ainda tudo muito arriscado. E aí com a equipe reduzida também, somente o essencial, estava no sete, tudo muito protegido. E a gente conseguiu fazer, assim que surgiu "Siri na Lata".

[Kath] Você interpreta a Íris, uma atriz que transforma a própria vida em espetáculo para conquistar reconhecimento. O que mais te chamou atenção nessa personagem e por que ela conversa tanto com os dias de hoje?

[Cely] Iris ela é exatamente isso, né? Uma atriz que está ali com 30 e poucos anos, ainda não deslanchou na carreira como ela gostaria. Ela está numa situação também de vulnerabilidade na sua vida pessoal, porque ela briga com a amiga com quem ela dividia apartamento e resolve se mudar. Só que ela não tem emprego, a família dela mora no interior e ela tá ali sozinha pra recomeçar uma vida nova. E aí, no desespero e ao mesmo tempo, num afã de finalmente alcançar o sonho dela de sucesso, de fama e de reconhecimento, ela resolve criar algo, um canal "Siri na Lata" e constrói aí essa personagem que é ela mas é ela maquiada, montada essa persona construída para aparecer essa pessoa feliz essa pessoa para cima, bem resolvida, viralizada, só que quem acompanha a série ver o outro lado da moeda também.

A artista enfatiza que quem acompanha a websérie percebe que Íris não é somente quem ela mostra ser no canal. Ela passa perrengue, a casa dela é uma bagunça. A Íris fora das câmeras não é a mesma que aparece para os “sirilovers”, o nome do fandom da diva.

[Cely] A gente vê ela contando moedinha para poder comprar um cachorro quente para comer. A gente acompanha também ela numa paquera, se apaixonando, a relação dela com uma amiga que já chegou lá, que é sua inspiração. A gente vai compreendendo também esse lado mais humano de Íris, se identificando com ela também porque ela tem uma coisa de um deslumbramento ali, né? De um sonho de ser famosa a qualquer custo. E pra conseguir ela não mede esforços.

Em entrevista, Cely brinca que em seu caminho para o estrelato, Íris faz um pouco de tudo, faz dancinha de TikTok, faz maquiagem, copiando influências que ela admira nesse ramo.

"Siri na lata" usa humor para criticar redes sociais. Foto: divulgação.

[Cely] Apesar de ser uma série de comédia, ela provoca esse lugar da reflexão sobre a hiperexposição nas redes sociais. Sobre esse desejo insano de curtidas, de seguidores, de aparecer, né? Que já era um movimento muito forte antes dos anos 2020, mas com a pandemia a gente acredita que foi um fator que intensificou ainda mais, porque durante a pandemia boa parte das interações ficaram restritas aos meios digitais mesmo, né? E eu acho que isso radicalizou essa coisa da internet, da criação de canais de libera exposição mesmo, de exposição da própria vida, dessa coisa de viralizar.

A atriz acredita que, após a pandemia, a comunicação se tornou cada vez mais distante do contato real, tendência que, segundo ela, foi intensificada pelo avanço da inteligência artificial, capaz de criar imagens e narrativas idealizadas que pouco refletem a vida cotidiana. Essa reflexão serve como pano de fundo da obra e permeia a construção da história.

[Kath] Você se inspirou em alguma pessoa ou em alguma memória ou momento seu para dar vida a Íris?

[Cely] A primeira delas é a nossa profissão, tanto eu quanto Íris somos atrizes. Então isso já nos coloca em muitos pontos de contato, seja o desejo de alcançar um sucesso, reconhecimento pelo nosso trabalho, de ter oportunidade de conseguir ter uma carreira um pouco mais segura, pouco... é porque é tão instável a carreira de artista que isso permeia um pouco todo mundo, eu acho, trabalha nessa área. A gente compartilha essa insegurança também, e esse desejo de dar certo, vamos dizer assim, de chegar lá.

Em entrevista ao Kath News, Cely Farias conta que pesquisou o universo das influenciadoras digitais para construir a personagem. A atriz relembra que consumia bastante esse tipo de conteúdo durante a pandemia e, para aprofundar a interpretação, observou diferentes perfis, desde criadoras com um estilo mais discreto até personalidades mais extravagantes. Segundo ela, esse processo ajudou a entender os comportamentos, a linguagem e a forma como essas figuras se comunicam nas redes sociais.

[Kath] A Paraíba e o Nordeste vivem um momento de grande visibilidade no audiovisual, com produções como “O Agente Secreto”, “Cangaço Novo”, “Guerreiros do Sol” e “Maria e o Cangaço". Você acredita que esse cenário marca uma mudança definitiva na forma como o mercado enxerga os talentos e as histórias nordestinas?

[Cely] É verdade, eu acho que nesse momento a Paraíba e o Nordeste vivem sim um momento de visibilidade no audiovisual muito grande, seja no cinema, seja no streaming, seja na televisão também, com novelas.

Inclusive, a intérprete destacou que o elenco da websérie reúne estrelas com trajetórias em produções de destaque do audiovisual nacional. Segundo a atriz, parte do grupo participou de obras como “Cangaço Novo” e “Maria e o Cangaço”, além de novelas recentes. Ela também ressaltou que integrou o elenco do filme “O Agente Secreto”.


[Cely] Eu acredito que existe um investimento que precisa existir e precisa ser, na verdade, permanente para que a gente possa ter as condições mais favoráveis para produzir, porque talentos nós temos, criatividade nós temos. E aí, quando o investimento chega a essas obras, elas nascem, e nascem dessa maneira avassaladora, interessante, arrebatadora são esses exemplos que você deu. E por muito tempo o olhar sobre o Nordeste foi colocado a partir de uma lupa sudestina, a partir de uma caricatura inventada, construída. E eu acho que essa visão também tem sido mudada recentemente, o Nordeste está sendo falado a partir da voz nordestina. Esse lugar de fala que acaba sendo muito mais original, muito mais autêntico, muito mais fiel, mesmo na criação ficcional, mas com respeito pelo que é, pela história, pelo lugar e por aquilo que a gente conhece de perto e tem propriedade para falar sobre.

Conforme Cely comentou, a Paraíba está num momento bom no cenário do audiovisual e que isso precisa ser celebrado, mas também reforça a necessidade de ampliar os investimentos em cultura. Ela destaca que o setor movimenta a economia, gera empregos e produz obras que entretêm, preservam a identidade cultural e ajudam a retratar o tempo em que vivemos, mesmo sem receber o reconhecimento que merece.

[Kath] Depois de assistir a "Siri na Lata", qual sentimento ou mensagem você espera que o público leve para casa sobre a personagem Íris e a história que ela conta?

[Cely] Eu espero que o público se divirta vendo "Siri na Lata". Que as pessoas se envolvam com a história dessa mulher, se reconheçam nela. Eu acho que é impossível não se reconhecer porque a gente vai descobrindo cada vez mais a humanidade dessa pessoa, a vulnerabilidade. E a gente vai querendo torcer por ela sempre do início ao fim.

[Kath] Após os sete episódios de "Siri na Lata" você pretende expandir a série para algum outro formato?

[Cely] A gente vai exibir esses sete episódios, toda quinta-feira, às 7h da noite lá no YouTube. E quando terminar a gente espera que, enfim, reverberem, que faça sucesso, que as pessoas gostem e que isso nos dê forças, nos dê base, material, know-how para pleitear aí, próximo momento, a possibilidade de um patrocínio maior, de um investimento mais efetivo para que a gente possa fazer nas condições ideais, quem sabe uma segunda temporada, quem sabe um "Siri na Lata" para um streaming, para um formato maior, enfim, quem sabe até um filme, mas a gente vai sentir como é que série chega nas pessoas, como é que ela reverbera, o quanto que ela alcança e, na sequência, tomara que seja um sucesso e que a gente possa seguir adiante sonhando junto com Íris e com todo mundo que participou, que sonhou junto e que apostou nessa pequena loucurinha que é fazer a audiovisual independente no Brasil, especialmente aqui na Paraíba.

Sobre "Siri na Lata"

Sem oportunidades nos palcos e determinada a conquistar reconhecimento, a atriz Íris cria um canal no YouTube para transformar sua própria rotina em um espetáculo.

Entre memórias distorcidas, exageros e versões bastante convenientes de sua história, Íris vê sua vida mudar quando um dos vídeos viraliza — e descobre que a fama pode ser tão sedutora quanto perigosa.

Com sete episódios curtos, "Siri na Lata" mistura humor, crítica social e reflexões sobre a hiperexposição digital, explorando temas como solidão, autoestima e a necessidade constante de validação nas redes sociais.



Kath News

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